quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cerimônia X Funcionabilidade



Desde há sua origem, quer dizer, desde a sua conscientização como força a ser exercida e utilizada em prol da humanidade e do ser humano a magia, religião e a espiritualidade trouxe toda uma gama de rituais e ritualísticas, as vezes mirabolantes outras vezes simples. Mas sempre houve a noção de se trabalhar o espiritual por meio de rituais.
Na magia não é diferente em nenhum aspecto, muito embora exista uma grande dificuldade de se separar o religioso do processo magístico. 
Para tanto precisamos compreender a verdadeira função do ritual. Creio que ja abordamos tais temas em alguns de nossos posts mas acho legal poder retomar tal assunto para que assim possamos entrar no tema em si deste post.
Todo processo ritualístico esta intimamente ligado com o símbolos internos; note que estamos tratando deles, os rituais, de uma maneira mais psicológica. Vamos tentar nos ater nesse aspecto e não no seu papel energético que também possui um aspecto simbólico no entanto um pouco mais subjetivo que o primeiro.
Cada símbolo de um ritual, entenda como símbolos desde gestos, palavras, imagens, instrumentos...cada um deles possui um aspecto interior que nos liga ou nos faz pensar em ligar ao que estamos buscando espiritualmente. Também tais símbolos em um proceso de começo, meio e fim trazem também uma carga psicológica mais forte existindo assim a cerimônia para que de fato nos sintamos ligados aquilo que estamos buscando.
Isso pode parecer um pouco confuso no contexto pagão, porque podemos usar tais exemplos de alteração de estado de consciência para um estado mais sutíl o ato de entrar em um determidado templo e fora dele nossa consciência esta "mundana". Analisando isso através de uma visão pagã de mundo onde o sagrado esta em tudo fica incoerente, eu sei!
Mas note que precisamos de tal sentido pois o fato não esta em separar a realidade mundana da realidade sagrada mas esta em usar um determinado símbolo para poder compreender que a partir daquele momento estamos conscientes daquele fato.
É claro que isso se aplica a noção de uma visão mais pagã do mundo e do sagrado.
Compreendendo tal fato entramos na discussão do post em si.
As vezes os símbolos se tornam mais importantes do que o seu objetivo, as vezes nos esquecemos de que eles são apenas veículos e não os fins daquilo tudo e ai que mora a grande confusão de que devemos começar a separar.
Na magia cermionial, como nome ja diz, todo o ritual é uma extenção de cerimônias intermináveis em que o praticante faz para chegar até o objetivo magístico/religioso. A questão em si não é mais nem na cerimônia mas na sua funcionabilidade.
A funcionabilidade de símbolos é tão importante quanto a primeira, mas parece que muitos bruxos de hoje se esqueceram de tal coisa. Fico vendo as vezes que muitos deixam de celebrar um determinado Sabbáth por não ter uma determinada cor de vela ou por não poder fazer uma verdadeiro Sabbáth Gardneriano! Isso é um absurdo completo. Como pagãos e filhos da Deusa precisamos compreender a aprender a trabalhar com o que temos em mãos e jamais devemos abrir mão de nosso maior instrumento que é o nosso ser.
Devemos lembrar que a magia não é algo que você faz e sim algo que si é.
Mas creio que um começo em um caminho iniciático mais formal na Arte, com um pouco mais de cerimônia é importanta para que a mente assimile tais símbolos e os agregue aos poucos a vida espiritual e a vida em um sentido total.
Creio que precisamos rever certos conceitos ritualísticos e encontrar importâncias e funcionabilidade, temos que reconhecer que certas coisas não são funcionais e outras são. Isso ocorre de indivíduo para indivíduo.
Porém quando deixamos de celebrar um determinado ritual ou pensamos que não podemos nos ligar a Deusa por que não temos determinado aspecto simbólico de um rito, pare e repense tudo o que você compreende como bruxaria e espiritualidade. Reveja se isso é importante. Mas lembre-se nós precisamos mais disso do que a espiritualidade precisa para que nos toque!


Dyonisio Bacante.








 

sábado, 15 de janeiro de 2011

As Bruxas de Benevento, a Dança Invertida na Nogueira



É acho que estou vivendo em momento de contos, onde simplesmente deixo essa tela em branco levar meus dedos ligeiros a digitar qualquer coisa que me bata a mente, simplesmente fluir. Como deixei no orkut: hoje só existir me basta, deixo que o momento mostre o próximo caminho a seguir...
Sim, e isso é muito bom.
Fico pensando nos caminhos antigos, nas bruxas que viveram antes das eras cibernéticas, antes mesmo da terminologia bruxa ou bruxo, onde simplesmente eram vistas como mulheres sábias que conduziam e inspiravam o seu povo através de seus ritos sagrados a natureza, uma celebração constante a si mesmo e aquilo que compunha a vida de todo aquele povo.
Não eram elas pagãs, ou cristãs! Não eram elas wiccannas. Não eram elas aquilo ou o outro, não eram bruxas, simplesmente eram...eram mulheres, homens, seres humanos que conheciam a magia como força inerente e existente em cada gesto, ato e ser.
Não precisam de ritos ou marcas, não precisam de nomenclaturas ou hierarquias. Viviam e gozavam plenamente de suas faculdades como um dádiva, como os cinco sentidos, simplesmente a possuiam e praticavam aquilo como o ato de fazer um almoço ou caçar o almoço.
Creio que hoje para nós que nos dizemos bruxos, pagãos, sacerdotisas ou filhas da Deusa estamos e ficamos muitas vezes presos ao fato de que para sermos o que buscamos ser precisamos ter nomes e títulos, mas esquecemos que como antes ainda somos pessoas simples, normais e humanas que buscam a espiritualidade e a magia no contacto intuitivo com o ser.
Nomenclaturas são boas sim, como também é muito bom abrir o círculo mágicko com a ajuda de um Athame. Mas até que ponto é bom? Quando esquecemos que o Athame é dono do poder e nós somos apenas um utilizador dele? Somos mais bruxos quando estamos com nossas túnicas, Athames, anéis de prata e colar de pentagrama? Será que toda essência da bruxaria, da Deusa e do ato de ser bruxa se exprime na palavra da mesma ou então todo o conceito existe em cinco letras: WICCA? Ou será que tudo isso deve ser visto como pontos de partida para algum lugar que no fundo não precisa de nomes mas existe independente de tal nome?
Eu quero de volta aquelas bruxas, aquelas mulheres, aqueles homens e aqueles seres humanos que acreditavam na chegada do verão que vinha através de seus rituais simples, através daquelas libações a terra acreditando que somente assim o verão chegaria pois eram eles parte daquela energia do verão.
Eu quero ver mulheres nuas e homens nus danaçando nas florestas, correndo livres sem pudores e moral cristã imbutidas nele. Quero gente dançando, celebrando o riso como ritual máximo da alegria. Quero ver casais de todos os tipos se casando em pleno altar da natureza. 
Estou farto de túnicas, de anéis, de hierarquias ou de nomes. Embora sei eu que tais nomes nos indentificam de que certa forma nos une como um povo. No entanto não quero que tais coisas se sobresaiam acima do desejo de liberdade a ponto de achar que a magia é algo que você faz e não algo que se é!
Quero poder ir até Benevento, e lá nos bosques dançar nú envolta da nogueira sagrada de Diana.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Revirando o meu caldeirão interno!



Hoje não quero passar um conhecimento direto, preciso e filosófico sobre a Arte. Hoje simplesmente quero usar esse espaço para poder manifestar algo que venha simples e diretamente do meu Caldeirão Interno.
 O dia me acordou habitualmente e rotineiro, simplesmente no mesmo horário e do mesmo jeito. As mesmas conversas ao fundo, na cozinha dizendo comentários frívolos sobre a vida.
Atorduado e com a cabeça ainda em um plano meio onírico meio real, levantei cambaleante deixando minhas pernas treinadas me conduzirem até o banheiro. Lavei o rosto, mirei minha face pálida que é quando acordo.
Analisei a pequena bomba do dia seguinte, para ver o que teria de limpar na casa. Tomei meu café, quem sabe o seu negro suco quente me faria acordar ligeiramente. E o fez, sai logo em seguida com o guarda-chuva protegendo inutilmente o meu corpo que recebia caridosamente cada gota fria de chuva. Pensei, a manhã começou diferente, nem sempre busco leite na padaria debaixo de uma chuva cálida como aquela.
Pedi o leite, fiz um elogio a uma roupa ligeiramente excêntrica da moça que me atendeu. Entreguei-lhe aquele valor simbólico de papel e o recebi em troca. Sai, voltei a minha casa. E meio que perdido preso em algum lugar entre o sono e a chuva comecei a limpar a casa. 
Meio afoito fui colocando cada coisa desarrumada em seu lugar de origem, com a esperança inútil de que permaneceriam ali eternamente e que ninguém, nenhum um ser seria capaz de desarrumar pois eram só uma imagem ilusória tanto quanto esse pensamento.
Lavei o banheiro, salvei-a de uma catástrofe no ralo do chuveiro. Depositei o pequeno e comprido inseto, enrolado e inerte em minhas mãos molhadas na janela. No lado de fora, pensei eu, ela poderia respira e resolver se queria viver ou morrer ali parada.
Aquele pequeno gesto rápido e segundàrio me fez refletir. A Deusa estava presente na água quente que lavava o banheiro. Ela estava presente na água quente que afogava a cemtopéia. Ela estava presente no meu olhar atento e em minhas mãos habilidosas que salvou aquele ser que deveria estar condenado a uma morte frígida e nada natural. A Deusa me fez pensar nisso tudo. Poderia deixa-la morrer, mas eu resolvi salva-la. Poderia ter acordado e em vez de ir buscar leite de manhã poderia eu ter ido buscar a tarde. Tantos pensamentos miraculosos me fizeram refletir sobre a questão do agora, da dádiva do dia de hoje e por ser uma dádiva chamar-se presente.
Calculei intuitivamente e quase que quânticamente tal pensamento absurdo tentando em uma ligeira mente aborvida de sono e realidade dizer a mim mesmo que o tempo era uma ilusão de etapas cumpridas e que ele simplesmente so existia por que viamos o Sol e a Lua dançarem com o movimentos no espaço, criando essa ilusória noção de dia e de noite. Marcando infinitamente o ponteiro de um relógio desigual e igual ao menos duas vezes ao dia com todos do mundo que corria feito louco em prol dele e por ele.
E por fim me aquietei!
Terminei de limpar a casa. Resolvi não pensar em mais nada daquilo, simplesmente resolvi existir. Simplesmente deixei me levar pelo tempo, pelo presente e pelo agora.
E o agora me pede para aquietar-me, olhar a lua crescente interna dentro de mim. Revirar meu caldeirão interno e ver o que consegui cozer até agora...e depois, só depois de bem cozido poder provar...



)0( Dyonisio Bacante )0(