sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A PSIQUE SELVAGEM


"Uma mulher forte é aquela que sente profundamente e ama bravamente.
Suas lágrimas fluem tão abundantemente quanto o seu riso.
Uma mulher forte é tanto terna quanto poderosa.
Ela é ao mesmo tempo prática e espiritual.
Uma mulher forte em sua essência, é um presente para o mundo."

...uma mulher forte é acima de tudo aquela não nega sua fragilidade, aceitando-a, enquanto luta para encontrar sua força nas profudezas do seu ser...

A PERSISTÊNCIA VALE A PENA, NOS ACHAREMOS NOSSO LUGAR NO MUNDO, LUGAR DE MULHER PRA MULHER

(...)É essa a promessa da psique selvagem para todos nós. Mesmo que tenhamos
apenas ouvido falar de um maravilhoso mundo selvagem ao qual um dia
pertencemos, apenas vislumbrado esse mundo ou sonhado com ele, mesmo que até agora nós ainda não o tenhamos tocado ou apenas o tenhamos tocado
momentaneamente, mesmo que nós não nos identifiquemos como parte dele, a
recordação desse mundo é um farol que nos guia para o lugar ao qual pertencemos, pelo resto de nossas vidas. No patinho feio, um sábio anseio surge quando ele vê os cisnes alçando vôo pêlos céus, e a partir desse único acontecimento sua lembrança daquela visão lhe dá sustento.
Trabalhei com uma mulher que estava muito perto do seu limite e pensava em
suicídio. Uma aranha que tecia uma teia na sua varanda chamou sua atenção. Não saberemos nunca exatamente o que na atividade do pequeno inseto foi capaz de quebrar o gelo que circundava sua alma para que ela pudesse se libertar e voltar a crescer. No entanto, estou convencida, tanto como psicanalista quanto como cantadora, que muitas vezes são as coisas da natureza que têm maior capacidade de cura, especialmente aquelas muito simples. Os remédios da natureza são poderosos e diretos: uma joaninha na casca verde de um melão, um tordo com um pedaço de barbante, uma planta do mato em flor, uma estrela cadente, até mesmo um arco-íris num caco de vidro na rua, qualquer um deles pode ser o remédio adequado. A persistência é estranha: ela exige uma energia tremenda e pode se abastecer por um mês com cinco minutos de contemplação de águas calmas.
É interessante salientar que, entre os lobos, não importa o quanto esteja
doente, não importa o quanto esteja acuada, o quanto esteja só ou enfraquecida, a
loba persiste. Ela corre mesmo com a perna quebrada. Ela se aproxima dos outros à prócura da proteção da matilha. Ela se esforça ao máximo para superar na espera, na astúcia, na velocidade ou na duração da vida aquilo que a esteja atormentando. Ela dedicará todas as suas forças a respirar bem. Ela se arrastará, se necessário, igual ao patinho, de um lugar para o outro até encontrar o lugar certo, um lugar benéfico, em que possa se recuperar.
A principal característica da natureza selvagem é a persistência. A perseverança. Isso não é algo que se faça. É algo que se é, em termos naturais e inatos. Quando não temos condição de vicejar, seguimos adiante até podermos voltar a vicejar. Seja o nosso isolamento originado de um afastamento da nossa vida
criativa, seja uma cultura ou uma religião que nos rejeitou, seja um exílio da família, um banimento de um grupo, seja a imposição de sanções a nossos movimentos, pensamentos e sentimentos, a vida selvagem profunda continua, e nós persistimos. A natureza selvagem não é natural de nenhum grupo étnico específico. Ela é a natureza essencial das mulheres do Daomé, dos Camarões e da Nova Guiné. Ela está nas mulheres da Letônia, dos Países Baixos, de Serra Leoa. Ela está no cerne das mulheres da Guatemala, do Haiti, da Polinésia. Digam o nome de um país. De uma raça. De uma religião. De uma tribo. Digam o nome de uma cidade, de uma aldeia, de um solitário posto fronteiriço. Todas as mulheres têm isso em comum: a Mulher Selvagem, a alma selvagem. Todas elas continuam a tatear em busca do selvagem e a segui-lo.
Por isso, se precisarem, as mulheres pintarão céus azuis nas paredes da prisão.
Se a meada se queimou, elas fiarão mais. Se a colheita estiver destruída, elas farão outra semeadura imediatamente. As mulheres desenharão portas onde não houver nenhuma. E elas as abrirão e passarão por essas portas para novos caminhos e novas vidas. Como a natureza selvagem persiste e triunfa, as mulheres persistem e triunfam.

IN MULHERES QUE CORREM COM LOBOS - Clarissa Pínkola Estés


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Agora estamos também em podcast!



É isso ai gente, agora estamos em podcast também. O conteúdo é o mesmo a unica diferença é que agora podemos estar mais próximos além de trocar informação e conhecimento escritos, agora estaremos juntos com músicas, conversações e muitas outras coisas.
Confira, o link do Podcast está ai!
Bençãos eternas da Deusa!

As Bacantes!


http://podcastdasbacantes.podomatic.com/

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ADEUS ANO VELHO...


Eu sempre tive certa dificuldade em criar artigos com minha opinião, então de mim nunca vem nada pré-definido. Talvez isso venha da dificuldade de definir a mim mesma ou algo muito maior que é o meu amor e minha servidão a Grande Deusa. O que sei é que a vida é a guia de todas nós e eu cheguei a uma altura da minha própria maturidade em que finalmente compreendo que não são os signos, astros, forças ou deuses, mestres ou pessoas que me definem e sim a mim mesma e de certa forma minhas ações e ideias.
Este é um conceito libertador. Não se culpar pelo que se é realmente, pois nós somos a imagem da Deusa e embora não sejamos perfeitos, em cada um de nos a esta centelha da Mãe Divina. Por milhares e milhares de milénios, anos e séculos, homens e mulheres se reuniram em volte de fogueiras em grutas, em círculos de pedra, em santuários e nos nichos de suas casas para reverenciar a Mãe de Toda a Vida. Por várias sociedades diferentes a Deusa passou e mostrou Suas Faces e formas para a humanidade e apesar de todo mal que o patriarcado causou, está dádiva e esta antiga força se preservou como Fonte e Origem da vida, como a Deidade Original, a primeira forma divina cultuada pela humanidade deis da noite dos tempos. O tempo passou e chegamos uma era de mais liberdade e igualdade de direitos entre homens e mulheres.
O tempo passou e pessoas de diferentes sexos, raças, religiões e origens se reúnem agora e em nome do amor se juntam sob o signo da Deusa em busca de compreensão e carinho.No meio dessa caminhada conhecemos as faces terríveis e sangrentas da Deusa e é ai que a maioria desiste.
Mas alguns de nós lutam contra sua própria sombra em busca da alma, e como as antigas sacerdotisas em procissão, mergulham no lago da vida, no oceano do tempo, no Útero da Deusa. E ai ainda é só o começo do caminho. Mas quem bebe dessa água sabe que jamais se saciará em outras fontes. Quem sabe e sente a Deusa sabe o quanto ela é impressionaste e o quanto Seu amor e dádivas são gratificantes, o quanto Seu êxtase é necessário para nossa alma, como o leite e necessário para o desenvolvimento do bebe. Nesse caminho que é o Serviço Sagrado à Deusa nenhum de nós pode julgar seu próximo (embora possamos discordar dele e defender nossas opiniões) pois cada um é seu próprio sacerdote e sacerdotisa. Somos milhares de pessoas que acreditam numa antiga deidade feminina por vezes acompanhada de Seu Consorte e por vezes não. E é mais ou menos ai que muito homens embirram quando vêem a Deusa Una solitária no comando do seu trono escuro... Uns acusam os outros de excesso de feminismo e que isso causará um desequilíbrio energético. Para mim isto é apenas um machismo disfarçado que infelizmente ainda continua existindo na wicca e em outras religiões que também adotam uma postura matrifocal. Na minha opinião em vez de procurar nas diferenças algo que nos desuna devemos nelas buscar a harmonia para que como irmãos possamos trilhar esse caminho em direção a Mãe. O patriarcado está ai para aproveitar qualquer oportunidade que dermos para se reestabelecer como o maior e único sistema cultural, social e religioso da Terra.
Cabe a cada um de nós permitir isso ou não. Esse ano que se foi vi muita gente da wicca criticar a nossa nova presidenta durante as eleições sem nem ao menos procurar saber sobre o seu trabalho e ética. E mesmo assim ai está uma mulher governa novamente nesta terra onde um dia as matriarcas e rainhas indígenas governaram antes que o patriarcado surgisse e fosse estimulado pelos portugueses e religiosos cristãos que chegaram a esta terra de gente inculta e primitiva...Pelo menos era assim que pensavam os estrangeiros e creio eu, muitos ainda sim pensam. Da que pra frente vamos falar menos e agir mais?
Vamos parar de culpar os outros pelos nossos erros e vamos respeitar o próximo?
Vamos deixar as mulheres serem livres
E deixaremos de agir de modo machista, ainda que inconscientemente...
Vamos respeitar aqueles que são diferentes....Vamos respeitar todos porque todos são diferentes!
Eu não sei você mas eu vou. Ou pelo menos vou me esforças para melhorar a mim, par me sentir digna de viver nesta terra maravilhosa que é o Brasil.