quarta-feira, 15 de maio de 2013

OS RISCOS DO PERFEITO AMOR, PERFEITA CONFIANÇA


Desde que começamos a nos interessar pelo caminho da Arte, em
nossas primeiras leituras, vemos que existe um lema em nossa
religião: Perfeito Amor, Perfeita Confiança. Quando lemos alguns dos
livros que descrevem mais acuradamente ritos iniciáticos, descobrimos
que essas palavras são, em algumas tradições, chamadas de senhas para
propiciarem a cerimônia de iniciação. Senha? Por que? Seriam essas
palavras uma espécie de "Abre-te sésamo" para a entrada em um coven?

Apreender apenas intelectualmente essa idéia pode dar ao praticante
muitas impressões errôneas a respeito.

Afinal, por que Perfeito Amor, Perfeita Confiança são necessários em
nossos Círculos e Covens? Seria isso um ideal abstrato ou um lema a
seguir?

Já ouvi muito a respeito do significado dessa expressão, na maior
parte das vezes, o comentário ou é feito por neófitos, que acham
tratar-se apenas de um símbolo ou metáfora, ou é feito por
praticantes já experientes, mas desiludidos, que por terem já
vivenciado problemas de traições ou brigas não crêem mais seja o
Perfeito Amor, Perfeita Confiança possível. Muitas vezes ouvi que
Perfeito Amor, Perfeita Confiança são ideais utópicos, são algo a
sempre ser perseguido, mas um ideal inatingível.

Aprendi na prática da construção de um Coven, que iniciou sua vida
como um Círculo, que Perfeito Amor, Perfeita Confiança é uma
conquista feita dia após dia. Sim, é uma realidade se todos nós nos
imbuirmos da consciência da importância dessa realização. Que me
perdoem os que se contentam com menos. Não creio exista um coven se o
mesmo não mantiver entre seus membros laços reais e concretos de
Perfeito Amor, Perfeita Confiança. Laços que resistem à dureza da
vida do dia a dia, que desafiam a convivência na diversidade, que
persistem mesmo após confusões e desentendimentos. Laços que desafiam
o tempo e a distância, porque são laços maiores e mais profundos que
os laços de sangue.

Voltemos ao significado simbólico para perceber a magnitude do que
estamos examinando. Nos rituais da maior parte das Tradições existe
um momento chamado desafio, ou seja, se pede que o postulante diga a
senha sem a qual não pode ser admitido em nossa religião. Nessa hora,
usualmente, a pessoa tem um punhal apontado para seu coração e
declara que ingressa no círculo mágico em Perfeito Amor, Perfeita
Confiança. Ora, pensem bem: ele só ingressa no Círculo empenhando sua
palavra de agir em perfeito amor e confiança com o risco da própria
vida! Ou seja: para ser uma bruxa@/sacerdote/isa vc declara que arrisca sua vida em
função de sua palavra de agir por esses estritos parâmetros, tendo
sido a confiança de todos os demais depositada em vc. Em outras
palavras: ao entrarmos em um Círculo ou coven todos
empenham suas vidas no cumprimento do lema. Caramba! Trocando em
miúdos, isso significa que declaro que posso morrer se descumprir meu
juramento feito aos demais... Já pensaram nisso?

Ao dizer isso não quero amedrontar ninguém, mas sim relembrar quão
importante é o penhor de nossas palavras e quanto isso exige de nós
para que nossas palavras não sejam vazias, nem nossos atos despidos
de significado.

Aliás, não é somente entre as pessoas que compõem o coven que o
Perfeito Amor, Perfeita Confiança é o regente maior da vida. Antes de
tudo, esse lema nos lembra que em primeiríssimo lugar estamos em
Perfeito Amor, Perfeita Confiança com os Deuses e os Antigos. Eles, mais
do que todos, são os que merecem nosso incondicional amor e
confiança. É neles que estão nossos caminhos, são eles que recebem
nossas vidas em amor, para que sejamos seus instrumentos vivos e
conscientes no mundo. Se temos Perfeito Amor, Perfeita Confiança nos
Antigos, então, ao nos depararmos com nossos irmãos de coven,
saberemos neles depositar, sem medos, sem reservas, esses mesmos
sentimentos.

Viver com outrem em Perfeito Amor, Perfeita Confiança é algo bastante
arriscado, porém. Não é sem receio que abrimos nossos corações e
almas, revelamos nossos segredos mais profundos e partilhamos nossas
dores e aflições. Mas é dessa partilha que se nutre o Círculo Mágico,
é desse lançar-se ao risco que cresce a irmandade inabalável de um
coven de verdade. Um coven é um lugar onde nossa fragilidade será
respeitada, nossa força será estimulada, nossos erros serão
impiedosamente criticados e onde seremos ouvidos sempre em compaixão.

Mas os riscos existem sim. Infelizmente, algumas vezes vocês
encontrarão no caminho, como eu encontrei, pessoas que não mereciam a
confiança que neles foi depositada. Há entre wiccanianos, pagões e bruxas como em
todo lugar, pessoas falsas, fracas, infelizes, invejosas e traidoras.
Não se deixem intimidar por isso. Cada um de nós Iniciador que recebe
um novo dedicado, cada membro de círculo ou coven que recebe um
novato está sim se arriscando. Mas como no amor romântico, não existe
ganho se não houver risco.

Abram-se a esse risco sem medo, sabendo que se vocês mantiverem vivas
em seus corações a lealdade e a ação em Perfeito Amor, Perfeita
Confiança, nunca esses traidores e infelizes realmente os atingirão.
Eles são menos que pó, que o vento leva ao esquecimento.

Preservar-se demais impedirá vcs de encontrarem seus reais irmãos de
vida. Manter seus escudos e lanças sempre em riste não permitirá
jamais que vcs conheçam o que é viver em Perfeito Amor, Perfeita
Confiança.

O que é melhor? Arriscar-se a amar e ser ferido por isso, ou nunca
arriscar-se, não viver a dor, mas também nunca conhecer o amor?

Escolham por si. Eu fiz minha escolha há muito tempo e não me
arrependo. A Deusa nos dá o que precisamos viver. Se escolhermos o
Perfeito Amor, Perfeita Confiança, outros virão até nós e
encontraremos aqueles que como nós, nunca deixaram as decepções
macularem seu ideal de vida.

Ser uma bruxa, no meu entender, é abraçar o amor e entregar-se, por isso nossa senha é Perfeito Amor, Perfeita Confiança.

Abençoados Sejam!

Texto de; Mavesper Cy Ceridwen

MAGIA DE UMA BRUXA.


Para mim, a palavra Bruxa é deliciosa, impregnada de
antiqüíssimas memórias que remontam aos nossos mais remotos
ancestrais, que viveram em estreito contato com os ciclos
naturais e apreciaram o poder e a energia que compartilhamos
com o cosmo. A palavra Bruxa pode instigar essas lembranças e
sentimentos, até no espírito mais cético.
A própria palavra evoluiu através de muitos séculos e
culturas. Há diferentes opiniões sobre as origens da palavra
inglesa Witch (bruxa). No anglo-saxão antigo, wicca e wicce
(masculino e feminino, respectivamente) referem-se a um ou
uma vidente, ou aquele (ou aquela) que pode preverinformações por meio da magia. Dessas palavras radicais
derivamos a palavra wicca, um termo que muitos na Arte usam
hoje para se referirem às nossas crenças e práticas. Wych em
saxão e wicce em inglês arcaico significam "girar, dobrar,
moldar". Uma palavra radical indo-européia ainda mais antiga,
wic, ou weik, também significa "dobrar ou moldar". Como
Bruxas, dobramos, subjugamos as energias da natureza e da
humanidade para promover a cura, o crescimento e a vida.
Giramos a Roda do Ano à medida que as estações passam.
Moldamos nossas vidas e ambientes para que promovam as
boas coisas da Terra. A palavra Witch também pode ter a
origem na antiga raiz germânica wit — saber. E isso fornece
igualmente um certo insight sobre o que é uma Bruxa — uma
pessoa de saber, versada em verdades científicas e espirituais.
Nas origens de muitas línguas, o conceito de '' Witch''
fazia parte de uma constelação de vocábulos para significar
wise (sábio) ou "wise ones" (os sábios). Em inglês, vemos isso
com extrema clareza na palavra magic, a qual deriva do grego
magos e da palavra persa arcaica magus. Ambas estas palavras
significam "vidente" ou "feiticeiro". No inglês arcaico, o
vocábulo wizard significava "o que sabe". Em muitas línguas,
Bruxa é a palavra encoberta nos termos comuns, cotidianos,
para sabedoria. Em francês, a palavra para parteira é sagefemme,
"mulher sábia".
A sabedoria enriquece a alma, não apenas o espírito. E
diferente da mera inteligência, informação e sagacidade, que só
residem na mente. A sabedoria vai mais fundo do que isso.
Quando o cérebro, com sua multidão de fatos e peças de
informação, deixa de existir, a alma persistirá. A sabedoria
imarcescível da alma sobreviverá.
A palavra grega para a alma é psyche. Pensamos freqüentemente
nos psíquicos como indivíduos talentosos e raros
porque podem usar como fonte essa sabedoria universal, mas o
dom não é raro. Todos nós o possuímos; cada um de nós é um
indivíduo dotado de alma. Todos dispomos de poderes psíquicos ou poderes anímicos, e cada um de nós pode
reaprender — ou recordar — como usá-los.
Embora homens e mulheres compartilhem do poder da
magia, a palavra Witch tem estado mais comumente associada a
mulheres do que a homens; no entanto, os homens na Arte são
também denominados Witches (Bruxos). Durante a Era das
Fogueiras, 80% dos milhões de pessoas que foram queimadas
vivas por prática de feitiçaria eram mulheres. Ainda hoje, a
maioria dos praticantes da Arte são mulheres, embora esteja
aumentando o número de Bruxos. Há uma boa razão para pensar
na Feitiçaria como uma Arte feminina. O poder de uma Bruxa
ocupa-se da vida, e as mulheres estão biologicamente mais
envolvidas na geração e sustento da vida do que os homens.
Não é uma coincidência que quanto mais homens se fazem
presentes no momento do parto e assumem responsabilidades na
assistência ao bebê recém-nascido, maior é o número de homens
que se interessam pela Arte. O espírito dos tempos está levando
homens e mulheres a restabelecerem a ligação com os mistérios
da vida que se encontram nos ritmos naturais da mulher, da
Terra e da Lua — pois os mistérios da vida são os mistérios da
magia.
A magia é o conhecimento e o poder que promanam da
capacidade de uma pessoa para transferir a seu talante a consciência
para um estado inabitual, visionário, de cognição ou
percepção inconsciente. Tradicionalmente, certos meios e
métodos têm sido usados para causar essa transferência: dança,
canto, música, cores, aromas, percussão de tambores, jejum,
vigílias, meditação, exercícios respiratórios, certos alimentos e
bebidas naturais, e formas de hipnose. Ambientes espetaculares
e místicos, como bosques, vales e montanhas sagrados, igrejas
ou templos, também alterarão a consciência. Em quase todas as
culturas alguma forma de transe visionário é usada para os
rituais sagrados que abrem as portas para a Inteligência
Superior ou para o trabalho mágico.
Desde os tempos neolíticos, a prática da Feitiçaria sempre
gravitou em torno de rituais simbólicos que estimulam a
imaginação e alteram a consciência. Rituais de caça, experiências
visionárias e cerimônias de cura sempre tiveram lugar
no fértil contexto dos símbolos e metáforas próprios de cada
cultura. Hoje, as meditações e sortilégios de uma Bruxa
continuam essa prática. O trabalho de uma Bruxa é trabalho
mental e utiliza poderosas metáforas, alegorias e imagens para
revelar os poderes da mente. Os índios Huichol do México
dizem-nos que a mente possui uma porta secreta a que chamam
nierika. Para a maioria das pessoas, ela permanece fechada até o
momento da morte. Mas as Bruxas sabem como abrir e transpor
essa porta ainda em vida e trazer de volta, através dela, as
visões de realidades não-ordinárias que propiciam finalidade e
significado à vida.
As imagens e os símbolos da Feitiçaria possuem uma
qualidade misteriosa e mágica porque tocam em algo mais
profundo e mais misterioso do que nós próprios. Desencadeiam
verdades perenes represadas no inconsciente, as quais, como
sugeriu Carl Gustav Jung, o grande psicólogo e estudioso das
religiões do mundo, fundem-se com as respostas instintivas do
reino animal e podem abranger até a criação inteira. O
conhecimento mais profundo, do outro lado da nierika, é sempre
conhecimento do universo. Está sempre presente, ainda que,
como a chama de uma vela na luz ofus-cante do sol, pareça
invisível e incognoscível. Mas a magia transporta-nos para
esses domínios profundos do poder e do conhecimento. Ela nos
leva a mergulhar na suavidade do luar, onde a chama de uma
vela cintila constante. Pode fazer-nos transpor a nierika e depois
trazer-nos outra vez de volta.
Os conhecimentos profundos que provêm do inconsciente
nem sempre podem ser expressos em palavras; requerem
freqüentemente a poesia, o canto e o ritual. Algures no centro
da alma humana existe um senso de identidade que jamais pode
ser transmitido somente por palavras de um ser humano para outro. Cada um sabe haver em si muito mais do que pode ver ou
expressar, tal como sabe haver no universo mais do que
atualmente compreende. Na melhor das hipóteses, o indivíduo
só pode fornecer alusões e lampejos do seu eu mais profundo
através das coisas de que gosta, daquilo que teme, do modo
como se desempenha, da forma como
sorri. Guardado no centro do seu ser está o segredo do
que ele é e do modo como se relaciona pessoalmente com o
resto do universo.
O conhecimento que uma Bruxa tem de si mesma, da
natureza, do poder divino que transcende o próprio cosmo pode
expressar-se melhor através do mito, símbolo, ritual, drama e
cerimônia. Diz-nos Jung que a estrutura da mente resulta da
interação de energias arquetípicas que só podem ser conhecidas
em imagens e símbolos, e que os sentidos captam em rituais e
eventos numinosos. E verificamos assim que, desde os tempos
mais remotos, homens e mulheres virtuosos de todas as culturas
criaram práticas ricas em símbolos e metáforas que a mente
inconsciente reconhece e entende intuitivamente: tambores,
gemas, penas, conchas, varas de condão, taças, caldeirões,
ferramentas sagradas e vestimentas feitas de plantas sagradas,
animais e metais repletos de poder. São essas as imagens que
revelam os padrões de conhecimento que estão subjacentes no
universo físico. São essas as imagens que nos conduzem ao
poder secreto que se oculta no centro das coisas, incluindo os
nossos próprios corações. Com esses ritos e imagens podemos
— como dizem as Bruxas - "puxar para baixo a Lua''.

Texto de; Laurie Cabolt.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

MÃE CAVALEIRA

PENTESILEIA

A cavalgada antiga sempre ela celebra

Sobre cada montanha e horizonte que se eleva
Rápida, a Rainha das amazonas celebra
Celebra e invoca, sauda e ama
Sua Mãe Égua, Mãe de todos os cavalos
Protetora de todas as mulheres
E do anseio pela liberdade
Protetora das guerreias que sonham
Com igualdade
Protetora dos homens
que semeio a pariedade
Protetora e Mãe
Dos que Vivem em Irmandade!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Iniciação


A iniciação para um/uma jovem aprendiz é algo que tanto esperado,algo que é almejado do mais fundo do seu ser.
O processo de iniciação no ofício é algo serio árduo e com paciência,o neófito(aprendiz) tem no mínimo fazer um ritual para selar seu compromisso de estudos que se chama "Período de Dedicação".
Nesse período você sela um compromisso com os Deuses em estudar tudo que for sobre a Espiritualidade e Religião da Deusa é neste momento que você se identifica-se com o vasto panteão e tradição que existe na Religião da Deusa.É o momento de se encontrar com algo que você já experimentou vivenciou em outras vidas,onde você começa a ver semelhanças e conforto que não saiba explicar.
Por isso a "Período de Dedicação" é muitíssimo importante é o seu momento de reencontro com sigo mesmo,portanto devore tudo que você encontrar em seu caminho livros,revistas,tvs,sites tudo mesmo informação nunca é demais.Saiba que esse período leva pelo menos um ano e um dia é nesse momento que os Deuses ira te testar e ver ate quanto você realmente esta disposto a seguir o Caminho dos Antigos.
Parece um exagero?não essa é a mais pura realidade com disse para seguir este caminho tem que ter Paciência é gosto por leituras pois na própria história da humanidade esta a religião da Deusa.Passado por esse período vendo que você cumpriu com seu voto é a hora e momento da iniciação algo que o neófito espera muito depois que se reencontrou com a Mãe,é um momento muito aguardo e ansioso mais não fiquei medite se guarde nesse dia,vá caminhar em uma praça, um bosque em um local que você se sinta conectado com a Deusa,respire entre em sintonia com você e sinta que esta retornando ao útero da Grande Mãe.Saiba somente disso que é seu momento sua hora de se juntar aos seus iguais,seus semelhante,seus cúmplices mais saiba também que ali esta sua ou seu sacerdotisa/sacerdote um juiz para te alerta no seu crescimento no oficio.
Daí em diante você tem um responsabilidade agora com os Deuses em honrar seus mestres,sua iniciação e acima de tudo A Deusa e O Deus em sua jornada para novos graus que com o tempo de muita vivencias você poderá passa a outro nível.A iniciação pode ser feito por uma ou um consagrado que esta no oficio a mais tempo que você ou você depois de seu período de dedicação pode fazer uma auto-iniciação.
A auto-iniciação vista por muitos membros de ordem iniciáticas como não valida e incorreta mais ao meu ponto de vista e vivencia garanto que é sim valida e muitíssima correta digna como se disse sido iniciada em uma ordem,garanto a todos você meus caros que SOU SIM UMA SACERDOTISA DA DEUSA e isso nada e ninguém pode tirar de mim isso sou auto-iniciada com muito orgulho e não é um conjunto de regras ou grupos que vai me dizer o contrário,se você amig@ quer fazer sua iniciação vai em frente não tema olha que coragem que temos em nossas mão estamos nós dando a cara a tapa em um caminho que no fundo é solitário, por mais que possa viver em uma comunidade pagã sua jornada é exclusivamente sua e unica ninguém poderá vivencia sua experiências,vá faça sua iniciação e quando terminar olhe para seu coração pois é ali que a Deusa vai dizer a você;"SEJA BEM VIND@ AOS MEUS MISTÉRIOS"se você sentiu que sua iniciação foi digna e aceita dentro de si saiba ninguém poderá dizer o contrário.
blessed be.
Fica dado o recado a tod@s.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Deus

O Deus já foi morto e ressucitado dentro de mim. Muitos já me fizeram crer que ao acreditar em um Deus dentro de uma cosmologia neo-pagã voltada para um Sagrado Feminino seria uma desculpa interna para que não houvesse culpa em destruir uma divindade masculina depois de tanto tempo todos chamando a origem de tudo de Pai. Hoje vejo que isso é uma grande balela, pois o Deus sofreu tanto quanto a Deusa, sua Mãe e Amante. A forma em que se trabalha o Deus para muitos está deturpada por eras de patriarcado desenfreado, e isso não foi só terrível para as mulheres mas foi também para os homens. Mesmo parecendo que não. Mas devemos compreender que o ser Masculino é um fato existente e biológico no qual não podemos negar e nem fugir e creio que até mesmo uma reformulação verdadeira do que fato esse masculino seja é essencial para um resgate mais profundo dentro do sagrado nos caminhos pagãos, principalmente para os homens.
De fato uma cultura sustentada somente por uma Deusa existe, uma sustentada com um casal divino, como os percussores da Wicca tem mostrado ao longo dos anos com o par Deusa e Deus, também existe. Mas estranhamente uma em que só existe o Deus não.
Isso nos leva de volta a Deusa e ao significado interno que Ela nos remete. A Mãe é o Símbolo do Todo e por ser o todo ela pode ser e é muitas coisas e não deixa de ser o Deus.
O Deus é o que eu chamo de aspecto interior de cada de um nós perante ao Universo que é a Mãe.
Para as mulheres o Deus pode ser o aspecto de um reencontro com um complemento daquilo que não lhe falta por ser plena, mas aquilo que ela carrega em si que a torna plena. Para os homens ele é a ligação com tudo o que é sagrado e selvagem onde os leva de volta para o útero cósmico de onde o próprio Deus se originou.
O Deus da Bruxaria possuí chifres, que na idade média o mal afamou como o demônio biblíco das danações e pecados dos cristãos. Mas os seus chifres são um símbolo de realeza, força, beleza, fertilidade, sabedoria e principalmente espiritualidade.
Ele é sempre visto com uma parte animal ou vegetal, pois ele é o símbolo da extensão da vida como também é o símbolo do selvagem e instintivo habitante em cada um de nós.
Seu enorme falo ereto e cíclico é o símbolo de sua elevação e decadência, assim como morte e renascimento, como também é o símbolo supremo do êxtase, da sexualidade livre e criativa.
O Deus dos Bruxos deve ser visto e analisado com mais cuidado e carinho tanto como olhamos para a sua origem a Mãe. Pois a Origem é Eterna e Geradora e por isso sempre será imanente.
Acredito no resgate sincero de um Sagrado Masculino inserido no Feminino. Creio que ambos fazem parte de um todo muito mais complexos que essas definições de gênero. Não acredito em gênero acredito em seres.
Creio que um resgate sincero, maduro e voltado para a Deusa de um sagrado masculino como o Deus como filho da Deusa é algo de grande valia para os homens mal auto conhecidos de nossa época.
Os homens esqueceram de sua real força interior e de seu brilho como sol, assim como muitas mulheres se esquecerão de seu brilho prateado como a lua.

Dyonisio Bacante

Renascendo...

Nessa tarde deu início ao Solstício de Inverno aqui no Hemisfério Sul. Para os bruxos autênticamente sulinos, isso é que seguem a roda de acordo com o hemisfério em que estão celebramos hoje o Sabá de Yule.
Estranhamente, pelo menos aqui na região interiorana de São Paulo onde moro somente o Sol distante no horizonte parece acompanhar o clima. Isso me faz pensar muito no real sentido da celebração de um Sabá de Inverno no qual se espera muitas vezes um frio terrível ou ameno, mas que seja frio.
Porém isso também nos faz sentir e perceber uma reflexão profunda; será que as mudanças de fato não ocorrem nessa época? Será que um Sabá, isso é a carga energética do mesmo, é tão somente uma celebração das forças externas e tangíveis que conseguimos perceber? Ou será que no fundo mesmo as estações vibram e ressoam antes de mais nada em nosso ser.
Existem muitos que adormecem nesse momento e somente aguarda as sensações da natureza para que a celebração de um determinado Sabá realmente ocorra. Mas a grande questão disso tudo é: Trabalhar o nosso interior mutante e vivo para que se harmonize com a vida que flue a nossa volta.
Muitos enquanto nesse momento estão preocupados com a decoração que vão usar sobre o altar de Yule, o que diram quando começarem a traçar o seu círculo mágicko esquecem-se muitas vezes que a profundidade essencial de um ritual pode morar em um gesto que disperte toda a uma sensação.
Yule sempre me ensinou o renascer, o renascer de uma criatividade interna dentro de mim. Dentre todos os Sabás creio que o de Yule seja um dos mais importantes da Roda pois ele dá o início efetivo da Roda a Girar ele é a confirmação da vida sobre o seu próprio mistério de existir.
Sinceramente não sei o que disse em relação a tudo isso que decorri nesse breve texto. Creio que somente quis falar, quis deixar um pouco minha alma falar de algo.
Por isso não liguem, é somente um devaneio de muitos que ando tendo...

Dyonisio Bacante.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Seguir e O Caminhar



Ao passo em que a humanidade caminha a forma de ver e sentir o seus Deuses também caminha, ou se segue. 
Mas sim, isso é um fato. Os Deuses evoluem junto com os homens ou será que a maneira de ver os Deuses é que evoluem de fato?
Faço essa breve explanação para dar início a um assunto que pode deixar alguns desconfortaveis e outros, nem tanto. 
Falo isso pelo fato de ter vislumbrado em minhas andanças sociais pelo mundo Neo Pagão atual e vendo e revendo um amontoado de informações extremamente moralistas e ortodoxas, principalmente daqueles que se julgam Wiccans de Coven e linhagem Tradicional, podendo contar a sua iniciação a partir do fundador da tradição que decidiu abraçar. Sim, toda essa saga épica é de fato romântica e muito bela quando seguida com a humildade no coração do buscador, pois de fato quem engreça em tais tradições realmente estão atrás disso, A Busca!
Mas e aqueles que Seguem? 
Como vêmos, não só em nosso meio, como em todas as áreas do mundo religioso atual, as pessoas inflando o peito ao dizer: Eu Sigo essa Religião... Eu Sigo a Wicca...Eu Sigo a Cristo... e um monte de seguir formando uma fila de fiéis seguidores.
A Arte como Religião da Deusa ou dos Deuses Antigos com sua filosofia Mistérica é de fato e de direito uma religião ou melhor, um reli gare que se Caminha e não que se Segue.
Sim, e isso justifica o próprio mérito de Caminhantes Solitários da Arte que de fato buscam, assim como há Caminhantes de Covens, como também há Seguidores Solitários e Seguidores de Coven.
Estranhamente os Seguidores parecem traçar sempre um mesmo perfíl Gardneriano de purezas de linhagens iniciáticas e inflam a todo peito soltando aos quatro quadrantes que a Wicca, ou a Arte, não se faz pela auto iniciação ou pelo caminhar solitário. Que essa não é a realidade e nem a existência da Wicca.
Sim! De fato concordo, a Wicca como foi CRIADA por Gerald B. Gardner de fato é um caminho mistérico iniciático, com tradições rígidas e sólidas de uma pequena sociedade que alimenta o seu próprio alicerce de filosofias nessa idéia do grupo com hierarquias que determinam que tais buscadores estão nesse ou naquele grau, tudo por que de fato isso é uma maneira para se medir a quem e como deve reconhecer cada um. Mas como disse acima, muitos seguem isso e jamais caminham para isso.
Caminhar e Seguir são diferentes, seguir implica em apenas traçar e imitar os mesmos passos de outro que caminhou antes de você tentando se igualar ou igualar para se sentir parte daquilo. Agora o Caminhar não, o caminhar é a brisa solta em nossos cabelos é a busca do grau iniciático como uma marca de sua própria evolução interna e quando se há hierarquia é pelo respeito que o outro que está caminhando tem por saber que o mesmo já conseguiu alcançar da sua maneira tal transformação e iniciação. Mas o Caminhar jamais implica na questão de abaixar-se e submeter a ordem de um Alto Sacerdote ou Alta Sacerdotisa por que simplesmente esses chamam-se a si mesmo com títulos altos, pelo contrário ele se curvará diante da Alta Sacerdotisa que carrega em si a humildade de reconhecer nele que ele é buscador e caminhante desses mistérios e por isso ambos merecem respeito, um merece respeito por buscar e caminhar, e o outro por reconhecer na caminhada do anterior uma marca na qual ele ou ela já é possuidora.
Por isso jamais me considerarei de fato um Wiccano embora eu seja em prática mas em idéia jamais, pelo menos não na idéia do que os "próprios" bruxos fazem da Wicca.
Gostaria sinceramente que cada pessoa que ler esse post até o final refletisse sobre isso, sou de fato preocupado com o futuro de nossa religião, nosso culto ancestral da Bruxaria. Me preocupo com a maneira que cada um trabalha a Arte pois isso é como ver algo que é do meu ser sendo usado e falado como se fosse a maior vantagem do mundo. Me preocupo todas as vezes que vejo pessoas novas buscando a Arte como meio de Reli Gare e fico pensando: Será que essas pessoas entenderam a profundidade que ela proporciona neles mesmos?
Sinto que um determinado momento, por ninguém respeitar a forma que o outro busca a Arte seja necessário formar um Conselho da Arte para definir o que ela é e como deve ser...engraçado os que mais bravejam isso são os homens, seres fálicos descendentes de um Gerald Gardner mal resolvido, longe da idéia central que demonstra uma Face Feminina, descidindo dessa forma como será a Igreja Wicca, será que ela vai chamar Nossa Senhora do Encantamento e receberemos uma carta de aprovação dizendo, sim você é bruxo não você não é bruxo! Creio que a Arte não deva ser desse jeito ou daquele jeito, creio que de fato a Arte para quem a busca com o coração sincero e entregue seja uma forma SUA de Reli Gare de Caminhar, caminhar esse sim que possuí tradições para designar o que eu caminho mas isso nunca deve definir-se como uma servidão de seguir.
Pois lembre-se, toda vez que seguimos algo e não caminhos por esse algo corremos o risco de jamais evoluir pois a única coisa que fazemos é simplesmente seguir...

Dyonisio Bacante